Tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara.
FODA-SE A SOCIEDADE INTEIRA.
Não há lugar melhor no mundo que o nosso lugar.
Mas hoje vai ter que fingir que preto é sua cor favorita
Precisa acreditar em algo, mesmo que seja só em você.
― Eu to ouvindo, só quero saber onde você colocou a minha cueca.
― Você nunca se importa com o que eu estou sentindo. Já to acostumada
― Você não fala nada que tenha sentido, reclama de coisas tão banais, e que podem ser resolvidas com o tempo, você não sabe o que é um relacionamento maduro, na verdade nem madura você é.
― Agora você pegou pesado.
― E mesmo você fazendo tudo errado, eu ainda estou aqui, não estou? Então, você deveria me agradecer.
― Canalha, eu te odeio.
― Na boa? Só me fala onde tá a minha cueca.
― Foda-se você e sua cueca, na verdade junte todas elas e o resto das suas coisas e some daqui.
― O apartamento é meu, lembra-se?
― Então quem vai sair sou eu.
― Ele segura ela pelo braço. Se você sair, você não volta nunca mais.
― Eu sei, então me solta.
― Eu também sei, por isso que to te segurando.
― Por que você me trata assim.
― Mano, eu to te tratando normal. Eu só estou cansado dessa vida, o problema não é você, sou eu.
― Tipica frase de cafajeste.
― Um cafajeste que te ama.
― Um cafajeste que não demostra o que diz. Provavelmente mente.
― Se eu minto eu..
― Mente, e mente muito bem.
― Quer saber, se você não acredita, vai embora mesmo.
― Não vou, vai ver é isso que você quer.
― Some.
― Me obrigue.
― Otária.
― Vadio.
― Te amo.
― Te odeio.
― Me larga.
― Não.
― Eu sonhei com várias brigas assim.
―Eu não.
― Foda-se.
― Na cama ou em pé?
― Não sei mais ri de suas piadas sem graça.
― Não precisa rir, você tentando segurar o riso fica bem mais linda.
"Eu superei você. Ainda bem que superei. Porque… Como tu consegue ser tão vadia a ponto de passar tempos comigo e ter a coragem de me acusar diariamente de não ter te amado? Se não foi amor, foi o quê? Porra. Escrota, filha da puta. — Lembra da nossa última briga que eu resolvi ser tão escroto quanto você e confirmar a mentira mais mal contada do universo? Lembra que eu resolvi concordar que eu nunca amei você? E tu foi tão patética que acreditou. Se eu não te amei, o que foram aquelas vezes que eu deixei de sair com os meus amigos pra falar contigo no telefone? Ou quando eu passava a madrugada em claro conversando com você as coisas mais idiotas do mundo? Se lembra de quando tu pedia pra dormir no meu colo porque tava sempre com cólica? Então, eu deixava e ficava olhando, pensando o que eu tinha feito pra merecer um anjo daqueles na minha vida. Mas eu também me lembro de quando você me xingava de todos os nomes possíveis alegando que tava de TPM. “Canalha, idiota, babaca.” Você me empurrava pra longe pedindo pra que eu saísse da sua vida logo. E sabe o que era mais curioso? Que no final do dia tu chegava perto de mim, me abraçava e me implorava pra nunca te deixar… E ficava tudo bem. Eu sabia o quanto suas ideias ficavam confusas com o mundo caindo em cima da sua cabeça, e ignorava tudo aquilo que tinha escutado quando tu repetia no meu ouvidinho que me amava mais do que tudo. E eu sei que era verdade, mesmo que eu tenha dito que você só era obcecada em ter alguém do seu lado. Eu sei que tu me amou. Eu sei que também vacilei pra caralho, várias e várias vezes. E tu passava a mão na minha cabeça como se nada tivesse acontecido. Isso seria ótimo, se você não jogasse na minha cara nas nossas brigas trilhões de vezes depois, alegando que eu nunca te amei o suficiente e que você me amava muito mais do que eu te amava. (…) E essa parte sobre você me amar mais, talvez fosse verdade mesmo. Confesso. Mas isso não significa que eu não tenha te amado o bastante. Eu amei sim, garota. Amei até mais do que você merecia. Porque, certo: Todos nós amamos alguém alguma vez na vida, e isso é lindo, supostamente deve nos transformar em alguém melhor. Aquela foi a sua vez. Mas isso só te transformou em alguém pior. Seu amor cego e incontrolável fodeu a minha vida. Seu ciúme incontrolável de todas as minhas amigas, te tornou uma pessoa odiada. Sua insegurança e mania de enxergar coisas onde não tinha, só te tornou uma pessoa completamente magoada e complexada. Eu quis te ajudar, te tirar disso. Eu tentei até onde eu pude. Eu tentei te tirar do fundo do poço quando você não queria sair. Eu tentei de todas as formas transformar o nosso amor em algo saudável, como deveria ser de fato. Você nunca aceitou a simplicidade da coisa, cara. Nunca. Tu sempre quis me testar, me manipular com uma cordinha pra ver até onde eu conseguia ir nas suas mãos. Você me tinha. Você me teve. Eu tinha um amor imenso por você, por nós… Como eu nunca tive por ninguém. Custava aceitar isso? Tu queria sempre mais, mais, mais e mais. E aí quando eu finalmente falei na tua cara: Se você quer algo melhor do que eu, alguém que te faça mais feliz, vai procurar outro. Tu começou a chorar falando que todo mundo desistia de você. Agora pára e pensa… Quantas vezes eu desisti de mim por sua causa? Que merda… O seu mundo era eu. E isso me assustava, me fazia ser cuidadoso com cada passo que eu dava. Acha que era confortável pra mim?
Agora tu continua dizendo pros meus amigos que sente a minha falta, quando já nem se tem mais falta de alguma coisa. Eu arrumei uma outra namorada, tô feliz e gosto dela. Você dá em cima dos meus amigos e sonha com os seus professores. Se você ainda pensa em mim, não me importa mais. Não tem espaço pra sentir falta de você no meu mundo.
Tu continua berrando nos quatro cantos do mundo que eu te tirei tudo, tentando me fazer parecer o vilão. Mas, menina… Você sabe que não foi assim. Você se tirou tudo. Tu depositava tudo em mim: Seu lado bom, seu lado ruim, sua vida inteira… Quando você sabia que um dia eu ia cansar de ter que aguentar aquilo, quando você tava certa de que eu ia acabar com aquela confusão toda alguma hora.
Percebe o quanto eu me tornei confuso e o quanto eu infelizmente, carrego um pedaço da pessoa que eu já desejei várias vezes nesses últimos dias nunca ter conhecido? Tudo culpa sua, mais uma vez. E sim, é verdade… Se eu sinto raiva, mágoa, eu ainda sinto alguma coisa. (…) Eu ainda amo você, e isso quebra o maldito do meu coração. Mas tu tá nele, eu ainda tenho você em mim em cada merda de coisa que eu faço. E se eu me quebro, você se vai junto com os meus cacos. É nisso que eu acredito.
(…) Mas não se alegra porque tu conseguiu me fazer sofrer, porque você ainda me faz sentir, não. Eu falo sério quando digo que superei você. — Quer saber como?
“Porque você não supera quando deixa de amar, e sim quando você reconhece que ficar com aquela pessoa que você gosta e te faz feliz, é melhor do que sofrer numa solidão a dois ao lado de quem você ama." —
Se eu nunca te fiz feliz… Por que você amou tanto a infelicidade?
"Mas e o que acontece depois? É, depois. Ele seguiu em frente e você continua se olhando no espelho todos os dias pensando “eu vou superar”. E você até supera. Supera de manhã, quando sorri com os amigos, de tarde, quando está ocupada demais com os programas na TV ou com o filme no cinema, supera a noite, naquela festa, naquele bar. Com aquelas músicas. Mas e o que acontece depois?
Quando você deita na cama sozinha e lembra que ele está ocupado demais para sentir sua falta? Ou quando você lembra que ainda tem um buraco enorme de você, que antes era preenchido com a saudade dele, e hoje… Só resta o vazio da desesperança? E o que acontece depois de tudo? Você empurra todos os dias; às vezes é feliz demais, depois tem aquelas recaídas e o que acontece? O que acontece quando você vê ele com a nova namorada? Ou quando até chamá-la de amor ele chama? O que acontece quando você vê que as coisas se perderam tanto, que ele apenas sorri e ignora quando passa ao seu lado? O que acontece quando a mesma pessoa que você passou tempos, já não aparenta ter mais tempo pra você? Você sofre, você chora, você se destrói. E não adianta falar que é mentira, porque não é. Você ainda queria que fossem vocês dois juntos, e não eles. Você ainda tenta colocar todos os defeitos do mundo na atual dele, porque talvez, ele um dia valorize o que perdeu, deixou pra trás. Você não se importa de parecer infantil, insistente, chata. Você não se importa de chorar à noite, porque você não é que nem ele. Você não tem medo de sentir saudade, vontade, nem de querer de volta. Mas ele tem… Porque é um fraco, e odeia ter que ver que vocês se perderam. Ou talvez ele tenha apenas receio de que a falta possa fazê-lo enxergar que a quer de volta. Então, ele faz o óbvio, o mais fácil. Vive uma vida de mentira, até que passe a acreditar nisso.
Ele vive se agarrando com a namorada, para não lembrar o quanto queria segurar a sua mão. Ele vai à casa dela todos os fins de semana, é apresentado para seus pais, apenas para não se lembrar que vocês tinham o amor proibido mais incrível dos últimos tempos. Ela vira amiga da irmã dele, por ser tão compreensiva, certinha e meiga; e ele tenta não se lembrar do quanto o seu jeito durão e irresponsável, do quanto o ódio reprimido da irmãzinha dele, eram engraçados e fazem falta. Ele coloca a foto dela no papel de parede, mas nunca conseguiu excluir a de vocês do coração.
Ele diz que ela é a mulher certa pra ele, porque ainda se encontra fascinada pela errada. Ele se apaixona por ela, porque por alguns segundos, essa menina, consegue tirar da cabeça aquela que é realmente amada por ele. Ela consegue acabar com o abismo em que ainda é encontrado. Mas é em vão, e no fundo, todos nós sabemos disso. Porque mesmo com a cabeça ao travesseiro, deitado ao lado dela, ele ainda pensa inconscientemente na outra. Ele controla suas atitudes, mas… Se sente um merda por não conseguir terminar essa história. E sejamos francos? Vai ficar nisso pra sempre. Nunca vai sair disso. Ele fingindo ser feliz, e você fingindo que está feliz com a felicidade de mentira dele. Ele fechando os olhos diante das fotografias antigas de vocês, e você, se torturando, assistindo um milhão de vezes a cena dele indo embora." — Luisa Feldie, Rafaela Marques. (via nee-d)